Nota: Nesta página vou inserir os agradecimetos feitos pela minha mãe.
Do Sonho à realidade " Angola Paraíso inesquecível"
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Agradecimentos
Vão para meu
filho, Roberto R. S. Brito que sempre me encorajou e incentivou na elaboração
deste projecto com a sua preciosa colaboração na composição informática e
design do conteúdo do mesmo.
Para meu marido José Brito Júnior, pelo muito
que me deixou de todos os conhecimentos e vivências daquela imensa Angola.
Foi
um projecto muito exaustivo mas bastante gratificante. Para eles o meu eterno
Obrigado.
Também
para minhas queridas irmãs:
Margarete
S. Sousa pelas ilustrações dos poemas “Lundas”,” Bela Sá - da Bandeira”,
“Moçamedes”e “ Um Homem corajoso”;
Odete
S. Sousa pelas ilustrações: “ O grande Imbondeiro” e ” Linda Mulemba”;
Elizabete S. S. Major; ilustração do poema ”Cunene”.
Para as minhas Queridas:
Prima, Libânia Marques Andrade Cruz;
Sobrinha, Drª. Maria Lúcia Quaresma Oliveira;
Amigos: Maria Rosa B. Fernandes,
Almiro J. Fernandes
José
Carlos Pereira
Pela colaboração, numa retrospectiva de
memórias, das suas respectivas naturalidades.
A
todos eles o meu Muito Obrigado por me terem ajudado a tornar o meu “ sonho em
realidade”….
Maria Graciete da Silva e Sousa
terça-feira, 1 de abril de 2014
“Um Homem Corajoso”
Por terras do fim do
Mundo
Muito viajou…
Em terras queimadas
Por um sol inclemente…
Crestadas por um seco
frio
Naquele tempo, para aquela
gente
O movimento do sol
ardente
Era um relógio latente…
As geleiras, umas a
carvão
Outras a petróleo
No Moxico, Bié e
Cuando- Cubango
Ele trabalhou...
E em Serpa Pinto se fixou
Por estradas secas e
lamacentas
Ele muito caminhou…
Em todas estas zonas
Muitas palancas, nunces, pacaças
E guelengues ele caçou…
Elefante, leões e onças matou
E assim, muito povo salvou.
Pelos lindos e grandes rios…
Lungué, Cassai, Zambéze, Cuito, Cutato
Cuchi, Longa,Cuando e Cubango
De jangada e canoa, atravessou…
Luena, quimbundo, quiôco
E ganguela , ele aprendeu e falou.
Com o seu chapéu à cow-boy
Balalaica
gostava de usar
Com
o seu cachimbo sempre a fumegar
Este
Brito Júnior era o melhor.
O Cuando-Cubando e por fim Lubango
Com
grande tristeza deixou…
E
só foi na linda cidade de Braga
Que
algumas memórias do Lubango
Veio
recordar!
E
ali… eternamente ficar.
Autora: " Maria Graciete Silva e Sousa"
“A
linda Mulemba”
A princesa das árvores
era a Mulemba
Uma árvore frondosa
Que dava uma sombra maravilhosa
Quando cheia de frutos
Ela ficava tão vaidosa!...
Era chamada “ Figueira
Africana”
Dava uns figos bravos
Que alimentavam
Os pássaros,
Nos seus galhos se
refugiavam
E ali muito
cantarolavam.
Esta linda árvore ploriferava
Por toda a Angola…
Constituída por vários troncos
regeneradores
Entrelaçados uns nos outros
Fundiam-se, chegando a elevar as
suas raízes
Acima do terreno.
Os Sobas, “Reis – donos de muitas
mulheres”
Fundavam os povoados à sua volta.
Para o Povo Africano
Eram um
“símbolo sagrado”…
Diziam
que as suas belas sombras
Levavam
as pessoas
A um
estado de meditação…
Chegando
à compreensão
E
finalmente…a uma incomparável união.
Autora:" Maria Graciete Silva e Sousa"
O
Grande Imbondeiro
Árvores grotescas e sombrias
Os grandes Imbondeiros
Em Angola se encontravam.
Eles eram lindos!...
Com aqueles brincos pendurados
Eles impressionavam
Tinham um traço solene
Tinham como título
“Rei da Savana Africana”
Seu fruto, chamado
mukua,
Tinha o formado de um pepino.
A sua casca secava,
ficando tostada
Dentro encontrava-se o
fruto
Esbranquiçado –
enfarinhado
Com sabor ocre - adocicado
Que muito era
apreciado
Dele, muito gostavam
os caçadores
Que por ali andavam de
espingarda na mão
À procura do “ Rei
Leão”
O Rei da savana…
Da Savana Africana
Nós tivemos que partir!
O
Imbondeiro ali ficou
Aquele
Imbondeiro que aceitava
Que
nele gravássemos nossos nomes.
Com a falta dos seus amores
Também chorou
E
para nós
De
dor ele secou.
Autora: "Maria
Graciete Silva e Sousa"
Cunene
“
Onde os Mucubais dão Cartas”
Cunene encontra-se situado
A sul de Angola
Num clima tropical seco
“Aqui os Mucubais dão cartas”…
As exuberantes “ Quedas do Ruacaná”
Envolventes
num constante rol
Brilham
como cristais e vitrais ao sol,
Oferecendo
condições Para um turismo
fascinante
Elas
inebriam o povo visitante.
Lindas girafas e cahamas
No
parque nacional de Muupa
Fazem
o cartão de visitas do Cunene.
Para um turismo
fascinante
Elas
inebriam o povo visitante.
Lindas girafas e cahamas
No
parque nacional de Muupa
Fazem
o cartão de visitas do Cunene.
Nos
recursos naturais
Predominam
a mica e o ouro.
No plano étnico,
Vai para os Mucubais
O destaque
Que mantêm sempre inalterados
Os costumes dos seus ancestrais.
Em solos pouco propícios
Encontram-se milho, massango
Massambala, trigo, tabaco
Cana-de-açúcar e videiras
Que aqui trepam ligeiras…
É digna de realce
A
exploração de boa madeira
Que
atraiu numa verdadeira gincana
O bombardeamento…
O bombardeamento…
Da
viação sul-africana
Na
altura da Independência Angolana…
Autora:" Maria Graciete Silva e Sousa"
Moçâmedes
“
Princesa do Deserto”
Descendo a linda serra da leba
Sentia-se uma imponência
impressionante…
Neste trajecto, muito podíamos admirar,
E a Moçâmedes íamos parar.
Era uma cidade fascinante…
Plana, erguida à beira mar
Em pleno deserto do Namibe
Avançando pelo deserto fora…
Contrastando com a cidade antiga
Porém sempre estimada
Como uma velha amiga.
Terra de pescadores
Descendentes de algarvios
Que ali foram parar
Levados por grandes navios…
O deserto oferecia a caça…
E era o habitat no mundo
Para a welwitchis mirabilis
Uma espécie de cacto,
Com aspecto de um gigantesco polvo.
Ali bem perto, existiam povoações…
As povoações dos Mucubais
Com belezas sem iguais!..
A reserva pastoril
Tinha a criação dos carneiros – caraculo
E que lindas peles!..
Para as senhoras embelezar
E algum povo agasalhar.
Também existiam ali
Belas praias
Para multidões banhar
E era esta terra
Um mundo de encantar…
Autora:" Maria Graciete Silva e Sousa"
Bela Sá da
Bandeira
“Onde o Gado Ordena”
Sá da Bandeira, também Huíla
A Rainha do Lubango
Com paisagens de encantar…
Cristo - Rei…Leba, obra
bela…
Tundavala, com uma fenda
Que mexe com a emoção…
E “ Quedas de água em
cachoeiras”
A linda Senhora do Monte
Com uma capelinha branquinha
E água cristalina naquela
fonte
Existia também ali uma
piscina
Um jardim, um mar de
rosas,
Que brilhavam sempre viçosas
Como lindas meninas.
Havia ali muito arvoredo
Macaquinhos saltitando
Por ali, no casino,
naquele monte
Comiam bananas sem medo.
Descia-se para o centro da cidade
Tudo imanava felicidade
Que atraía o pais
inteiro…
Encantava toda a gente
Também a polícia montada
a cavalo
Na linda rua do
picadeiro.
E lá nos arredores…
As muhuílas gostavam de morar
Cultivar, cantar e
dançar
As cabaças, quindas e
quimbalas
À cabeça gostavam de
carregar
Seus corpos e cabelos
Com óleos espessos,
gostavam de besuntar
Com missangas multicores
enfeitar
Sá –da- Bandeira
Era assim, uma cidade de
encantar…
Autora : " Maria Graciete
Silva e Sousa"
Memórias do Cuando Cubango
“ Terras do Fim
do fim do Mundo "
Nas terras do Cuando Cubango
O sangue frio também pulsou…
E foi o corajoso Serpa Pinto
Que nas águas daqueles rios
E do rio Cuebe
Numa canoa,
navegou…
E numa tipóia, doente, ele andou…
Era uma terra
tranquila…
Com abundância de
milho e massambala
A agricultura era
relevante!...
A pecuária de bovinos,
caprinos e ovinos
Tinha uma actividade
económica
Abundância de cobre e
ouro
(sem terem sido
explorados)
Guardam uma riqueza
fascinante…
Com o rio Cuebe a
dividir
A capital de Menongue
E o Cuando Cubango a beijá-la
O potencial turístico
é invejável!...
Com zebras, elefantes
e cavalos
Cruzando-se naquela
savana
Formam uma beleza
incomparável!...
E numa embala, numa casa de adobes,
Coberta a capim, seu nome ele deixou
E foi aqui que “ Menongue” começou
E Serpa Pinto se fundou…
E continua a abrigar
O
povo que ali queira trabalhar…
Autora: "Maria Graciete
Silva e Sousa"
Moxico
O distrito do Moxico é o planalto mais alto de Angola
Com as cidades do “ Luso” e “Teixeira
de Sousa”
Os grupos étnicos eram o Quiôco e o
Luena
Eram povos laboriosos e alegres
Apaixonados pela música e danças…
Lá estavam eles sempre em festanças.
Luso”hoje só Luena”, era uma cidade bem planeada
Planeada sem igual!...
Os seus jardins multicores, atraíam
muitos amores.
Ruas muito arborizadas, sempre bem
tratadas.
A árvore do célebre pau-preto
Era uma fonte de trabalho para a
arte indígena.
O Mussibe, árvore com boa madeira
Para toda Angola era transportada
E em mãos de carpinteiros acabava
trabalhada…
Cultivavam-se, ali, no distrito
Ginguba, milho, café, algodão
Campos de arroz e um tubérculo
Chamado mandioca
Depois de seco, pisado, fazia fuba
E ralado a gostosa Tapioca.
Encontravam-se também
Sempre correndo, as quedas do rio
Luena…
Pássaros saltitando, viajantes…
Viuvinhas, rolas, bicos de lacre
Chilreavam radiantes
Como que dando graças
A todos os visitantes.
Aquela selva Africana
Com animais ferozes
Foi impenetrável e misteriosa! …
Abrigou muitos guerrilheiros
Almejantes de uma grande vitória…
Que não se concretizou
Porque terminou
Numa “ luta inglória.”
Autora:"Maria Graciete Silva e Sousa"
Planalto do Bié
“
Mártir entre os Mártires”
Foi até ao Planalto do Bié
“ Vila de Belmonte”
Hoje só Kuito, onde Silva
Porto chegou.
Como sertanejo, muito
trabalhou
E o povo autóctone ele
ajudou…
Mas por ironia do
destino
A casa dele devorou
E na miséria ele ficou.
Construiu então uma
cubata
E naquele sertão, ali se
fixou.
A presença de outro
capitão
Discórdia
causou
Entre Silva Porto e o “ soba Trovão”
Que logo lhe puxou as barbas
Demonstrando rebelião…
Este ferido e entristecido
Na Bandeira Portuguesa se enrolou
E num barril de pólvora
Ele se suicidou…
O seu corpo em cinzas
Aquele povo agradecido,
guardou…
Naquela cubata,
Na cubata que ali ficou
E agora!...E agora!...
Era uma vez Silva Porto
Era uma vez Cubata…
Lá só ficaram ruínas
Com um povo sofrendo na
carne
O peso das malditas
minas.
Autora: “Maria
Graciete Silva Sousa
Querido Planalto
do Huambo
“ Terra Fustigada pela Guerrra "
Hoje só Huambo…
“ Nova Lisboa”
Com belas casas,
largas ruas
Jardins cheios de flores…
Arvoredo de imensa
variedade…
Pássaros de várias cores
Erguida num planalto central
Apresenta um clima tropical…
Foi centro académico e intelectual.
Era rainha da agricultura
E princesa dos vegetais.
Com eucaliptos, bambus
E Mulembas frondosas sem iguais,
Com estanho, volfrâmio e ouro
É rica em recursos minerais.
O povo deste distrito, acompanhado
Por quissanges e batuques,
Gostava de
cantar e dançar
E com muito ritmo, gingar…
Mas agora!...
Ó General Norton de Matos…
Aquela terra
que tinha
Um liceu com o teu nome
É uma terra e
província
Fustigadas
pela guerra
Com povo passando fome
Mas como de escombros e cinzas
Algo ainda se pode esperar
Huambo volta a sonhar…
E está a aceitar
Todos os que possam voltar…
Autora: "Maria Graciete Silva Sousa"
“Benguela”
Cidade quente Cidade quente
Povoada por muita gente
Terra da boa manga
Da boa banana e papaia
Com um mar imenso…
Onde ondas azuladas
E esbranquiçadas
Em espumas vinham espraiar…
Com pérolas, conchas e corais
Lá bem no fundo…
No fundo do mar
E naquelas praias
Com palmeiras e coqueiros
A embelezar
Lindas meninas se vinham banhar
E assim, era
Uma Benguela a vislumbrar.
Tinha como irmã
A
Baía farta
Centro
piscatório de Angola
Com
fábricas de farinhas,
Óleos e conservas de peixe
Em
pequeninas latinhas...
Estaleiros
que pareciam
Meninas aventureiras Percorrendo
o teu distrito
Porque
ali eram construídas Encontramos Catumbela e Lobito.
Reparadas Catumbela, enriquecida
Muitas
traineiras. Pela cana – de – açúcar.
Lobito, brilhando
Com
lindos Flamingos,
Sala de Visitas aos Domingos.
Com a sede do caminho-de-ferro
Comboios
partiam…
Lá
iam e vinham eles…
Com
chaminés a fumegar
Longas
terras para passar
Partiam eles a apitar.
Outros
vinham a chegar
E
da janela lá se via ela
A deslumbrante Benguela.
Autora:"Maria Graciete Silva Sousa"
Gabela
“ A Rainha do Ouro Negro “
Gabela
Conhecida como a Rainha do Ouro Negro:
“O Café”.
Com a cultura destes arbustos
As roças eram um mar verdejante!
Davam um fruto avermelhado
Que só pela sua beleza
Era
logo desejado.
Estes campos de árduo trabalho!
Alegria…suor…lágrimas…
Também lá se encontravam.
Sim! Aqui também trabalhavam,
Os chamados “contratados”
Que muito saudosos
Mesmo labutando
Estavam sempre cantando.
Nesta bela cidade
Existiam as acácias
“ Damas de flores”
Que exalavam um perfume
Envolvente de amores…
Havia plantações de abacaxis
Fruto sumarento e gostoso
Com coroa de rei majestoso.
Desta rica terra,
Os “Gabelenses” em todo o Mundo
Se podem orgulhar
E com alta voz gritar:
“Angola também é nossa!...”
Porque jamais, deixaremos
De a AMAR
Autora:" Maria. Graciete Silva e
Sousa".
Lundas
“
Reino dos Diamantes”
Lunda tem como capital, Saurimo
É enorme a produção do arroz
Milho, mandioca, batata – doce
E óleo alimentar
Que nesta terra enriquecem
A arte de bem cozinhar…
Mas é a riqueza
Dos famosos e reluzentes diamantes
Que fazem as Lundas brilhar…
Em 1912, foram descobertas os primeiros
Diamantes, na ribeira de Mussalala
Que logo foram escondidos
Ali perto numa embala.
Em 1917, foi criada a
companhia
Dos diamantes –
Diamang
Que logo se ergueu
laboriosa
Deixando a região da Lunda
orgulhosa.
Terras de mistério
antigo
Sentem-se bafejadas
pela sorte
Oferecida pelo valioso
diamante
Que depois de lapidado
Mantém um brilho constante.
Apesar dos diamantes
Serem uma fonte de riqueza
Ainda existe nesta região
Um povo em extrema pobreza,
Mas com qualidades de carácter
De enorme grandeza.
Autora :"Maria Graciete Silva e Sousa"












